De acordo com o empresário Aldo Vendramin, o preço de commodities costuma ser explicado de forma simplificada a partir da lógica clássica de oferta e demanda, mas essa leitura já não é suficiente para compreender a dinâmica real dos mercados atuais. Em um ambiente globalizado, altamente financeiro e sensível a fatores políticos, climáticos e macroeconômicos, o preço das commodities passou a refletir um conjunto muito mais amplo de variáveis interconectadas. Ignorar esses elementos leva a análises superficiais e decisões mal calibradas.
Aprofunde a leitura e entenda quais forças movem realmente os preços no mercado global de commodities.
Como o preço de commodities reage a fatores macroeconômicos?
O preço de commodities reage diretamente às condições macroeconômicas globais, especialmente a variáveis como taxa de juros, inflação, crescimento econômico e política monetária. Quando grandes economias ajustam juros ou sinalizam desaceleração, o impacto se reflete rapidamente nos mercados de grãos, energia e metais, independentemente da situação produtiva.

Como destaca Aldo Vendramin, o fortalecimento ou enfraquecimento do dólar é outro fator central. Como a maior parte das commodities é negociada em dólar, variações cambiais alteram a competitividade de exportadores e importadores. Um dólar forte tende a pressionar preços, enquanto um dólar mais fraco costuma estimular demanda e valorização, mesmo sem mudanças físicas relevantes.
Qual é o papel do mercado financeiro na formação dos preços?
O mercado financeiro exerce influência crescente sobre o preço das commodities. Fundos de investimento, bancos e traders institucionais operam contratos futuros e derivativos em volumes que superam, muitas vezes, o comércio físico. Essas operações ampliam a volatilidade e aceleram movimentos de alta ou baixa.
Segundo o empresário Aldo Vendramin, as commodities passaram a ser vistas como ativos financeiros, usados para proteção contra inflação, diversificação de portfólio ou especulação. Entradas e saídas de capital financeiro podem provocar oscilações rápidas, sem relação direta com produção, clima ou consumo imediato.
Além disso, algoritmos e operações automatizadas intensificam essa dinâmica. Decisões baseadas em indicadores técnicos, notícias e sinais de mercado ocorrem em segundos, tornando o ambiente mais sensível a ruídos e expectativas. Para quem atua no setor produtivo, compreender essa lógica é essencial para evitar decisões reativas.
Como fatores geopolíticos e climáticos influenciam o mercado?
Conflitos geopolíticos, sanções comerciais e instabilidades institucionais têm impacto direto sobre o mercado de commodities. Guerras, disputas comerciais ou restrições logísticas afetam cadeias globais de suprimento, elevando riscos e pressionando preços mesmo antes de qualquer escassez real. Esse efeito antecipado ocorre porque agentes de mercado ajustam posições com base em cenários prospectivos, e não apenas em dados consolidados. Assim, expectativas e incertezas passam a influenciar preços com intensidade semelhante à dos fatores físicos.
Como enfatiza Aldo Vendramin, o clima é outro elemento estrutural. Eventos extremos, como secas, enchentes ou ondas de calor, influenciam as expectativas de oferta futura. Muitas vezes, o mercado precifica o risco climático antes que ele se materialize, antecipando possíveis perdas produtivas. Esse comportamento reflete a sensibilidade do sistema a informações meteorológicas e projeções de safra.
Por fim, esses fatores atuam de forma combinada. Um evento climático em uma região estratégica, somado a tensões políticas ou gargalos logísticos, pode gerar reações em cadeia nos preços globais. O mercado de commodities, portanto, responde tanto à realidade quanto à percepção de risco. Essa interação torna o ambiente mais volátil e exige análises que considerem múltiplas variáveis simultaneamente.
Autor: Antomines Adyarus
