A produção industrial do Brasil recuou 0,2% em maio na comparação com abril, informou o IBGE nesta semana.
O resultado interrompeu uma sequência de quatro meses seguidos de crescimento e chamou atenção de analistas porque veio abaixo do que se esperava para o período.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), e mostram um cenário desigual dentro do setor. Enquanto alguns segmentos seguiram avançando, outros travaram justamente depois de meses de expansão contínua.
O que puxou a queda
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, os principais responsáveis pelo recuo foram os setores de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que caíram 6,1% na passagem de abril para maio, e as indústrias extrativas, com retração de 2,6%. Os dois segmentos vinham de cinco meses consecutivos de expansão, período em que acumularam ganhos expressivos, e a interrupção pesou no resultado geral.
Também registraram queda no mês produtos alimentícios (3,7%) e máquinas e equipamentos (9,5%), além de equipamentos de informática, produtos têxteis e calçados. Do lado positivo, apenas os bens de consumo duráveis cresceram entre as grandes categorias econômicas, com alta de 3,6%, revertendo o recuo do mês anterior.
Bens de capital preocupam mais que o número do mês
Um ponto chama atenção de quem acompanha o setor produtivo: os bens de capital, categoria que reúne máquinas e equipamentos comprados pelas empresas para ampliar ou modernizar a produção, seguem em queda ao longo do ano, acumulando retração de 6,2% entre janeiro e maio. Esse indicador costuma antecipar o ritmo de investimento da economia, e sua fraqueza sugere que parte das empresas ainda está adiando projetos de expansão, num contexto de juros elevados e crédito mais caro.
Na comparação com maio de 2025, a indústria variou positivamente apenas 0,2%, resultado também influenciado pelo fato de maio deste ano ter tido um dia útil a menos. Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, a produção industrial cresce 1,4%, ritmo mais fraco do que o registrado até abril.
Setores que sustentaram o resultado
Nem tudo foi negativo. A indústria farmacêutica interrompeu quatro meses seguidos de queda e avançou 13,2% na comparação anual, enquanto o setor automotivo emplacou seu quinto mês consecutivo de crescimento, impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões e autopeças. Produtos químicos também eliminaram o recuo registrado em abril.
Para o setor produtivo como um todo, o IBGE aponta que a indústria brasileira permanece 4,5% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas ainda está 13% abaixo do recorde histórico de maio de 2011.
Próximos passos
A próxima divulgação da PIM, com dados referentes a junho, está prevista para o dia 4 de agosto. Até lá, o mercado deve seguir de olho principalmente no comportamento dos bens de capital, já que uma recuperação mais consistente desse indicador costuma ser vista como sinal de que as empresas voltaram a investir com mais confiança.
Fontes consultadas:
Agência de Notícias do IBGE: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47448-industria-varia-0-2-em-maio-e-interrompe-quatro-altas-seguidas
Canal Rural: https://www.canalrural.com.br/economia/producao-industrial-recua-02-em-maio-mostra-ibge/
