Densidade óssea em homens idosos e o que poucos falam sobre osteoporose masculina

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
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Yuri Silva Portela

Osteoporose é frequentemente apresentada como condição feminina, e essa percepção tem consequências clínicas sérias para os homens que envelhecem. Por essa razão, o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, trata a osteoporose masculina como uma lacuna clínica urgente que precisa ganhar visibilidade. Afinal, enquanto o foco recai sobre mulheres na pós-menopausa, os homens idosos acumulam perda de massa óssea em silêncio, sem rastreamento sistemático e com fraturas cujas consequências são estatisticamente piores. 

Ao longo deste artigo, você vai entender por que os homens também quebram e o que pode ser feito antes que isso aconteça. Leia a seguir e saiba mais!

Por que a osteoporose masculina é tão invisível?

A invisibilidade tem raízes históricas. As primeiras pesquisas sobre osteoporose focaram em mulheres pela associação com a queda estrogênica da menopausa, moldando tanto a prática clínica quanto a percepção pública. Mas os homens, que perdem massa óssea de forma mais lenta e tardia, ficaram fora do radar diagnóstico. O problema é que, quando a fratura acontece num homem idoso, o organismo já está mais fragilizado e a recuperação é mais difícil.

Yuri Silva Portela aponta que existem fatores de risco específicos que merecem investigação ativa. Tais como o uso prolongado de corticoides, hipogonadismo, alcoolismo, tabagismo e histórico de fratura prévia justificam a solicitação de densitometria independentemente do sexo. Por isso, ignorar esses fatores em homens porque osteoporose é considerada condição feminina é um erro clínico com consequências mensuráveis e evitáveis.

Quais são os sinais de alerta que famílias e médicos deveriam observar?

A ausência de sintomas é o principal desafio. Isso porque a osteoporose não dói até que uma fratura aconteça. Por essa razão, a identificação depende de rastreamento ativo baseado em fatores de risco. De fato, um homem idoso que perdeu altura de forma perceptível ao longo dos anos pode estar apresentando fraturas vertebrais por compressão que nunca geraram dor aguda suficiente para motivar avaliação médica.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Para o Dr. Yuri Silva Portela, a postura cifótica progressiva que muitos associam naturalmente ao envelhecimento frequentemente reflete o colapso vertebral osteoporótico não diagnosticado. Dessa forma, normalizar essa alteração sem investigação é perder uma oportunidade de diagnóstico que, naquele momento, ainda permite intervenções que reduzem o risco de fraturas futuras.

Como o Humaniza Sertão aborda a saúde óssea nas comunidades?

Nas ações mensais do Humaniza Sertão nas comunidades do sertão de Quixadá, a avaliação de risco para osteoporose inclui homens e mulheres sem distinção. A triagem de fatores de risco e as orientações sobre alimentação e atividade física são oferecidas de forma igualitária para ambos os sexos.

Sob a ótica do fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, desconstruir a narrativa de que osteoporose é problema de mulher é parte do trabalho educativo do projeto. Desse modo, homens que nunca consideraram fazer uma densitometria recebem informação que muda sua percepção sobre o próprio risco e os motiva a buscar avaliação que poderia prevenir uma fratura devastadora.

Ossos sem gênero, risco sem exceção

Yuri Silva Portela frisa que todo homem idoso com fatores de risco deveria ter uma densitometria. Se o pai ou avô da sua família nunca fez esse exame, este é o momento de perguntar ao médico. A prevenção da fratura começa com essa conversa simples.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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