Fim da escala 6×1 trava no Senado e mantém empresas em compasso de espera

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
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Fim da escala 6x1 trava no Senado e mantém empresas em compasso de espera

A proposta que encerra a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas segue parada no Senado Federal

Mais de um mês depois de ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados com folga. O impasse ganhou um novo capítulo nesta semana, com um embate público entre o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

O que está em jogo

A PEC 8/2025 chegou ao Senado no fim de maio, um dia depois de aprovada em dois turnos pelos deputados, com mais de 460 votos favoráveis. Desde então, o texto não avançou. Pelo regimento, ele já deveria ter sido encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, mas isso ainda não aconteceu. Alcolumbre tem dito que o Senado vai analisar a proposta “com calma, sem açodamento e sem pressa”, e reforça que a Casa não atua como mero validador de textos vindos da Câmara.

O tempo importa para quem acompanha o calendário eleitoral: se a aprovação ocorrer ainda em julho, a mudança começaria a valer em setembro, um mês antes das eleições gerais de outubro. Uczai chegou a afirmar que a bancada do PT vai tratar Alcolumbre como “inimigo dos trabalhadores” caso o texto não seja despachado para a CCJ.

O que muda para as empresas

Pelo texto aprovado na Câmara, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas 60 dias após a promulgação, e para 40 horas doze meses depois, sempre com o máximo de 8 horas diárias. A transição foi incluída justamente para dar às empresas um período de ajuste, e microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte teriam ainda a possibilidade de regras de adaptação próprias, definidas por lei complementar.

Uma pesquisa do Sebrae Nacional mostra que a mudança divide opiniões dentro do próprio empresariado: dois terços dos micro e pequenos empreendedores consideram que a redução de jornada pode ser positiva para o negócio, mesmo com a resistência de parte do setor produtivo em relação ao custo da medida.

A disputa de narrativas

Centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, rebatem o argumento de que a redução da jornada encareceria a operação das empresas. Defendem que o texto foi construído após amplo debate com trabalhadores, empresários e parlamentares, e que prevê uma transição de até 14 meses justamente para permitir a adaptação, preservando a negociação coletiva para ajustar escalas à realidade de cada setor.

Do lado empresarial, o debate se conecta a uma preocupação mais ampla apontada por uma pesquisa recente com 31 grandes corporações: o mercado tende a concentrar sua atenção nas decisões do Palácio do Planalto, mas boa parte das mudanças que afetam o dia a dia das empresas, como orçamento público e ritmo das reformas, depende do Congresso e dos governos estaduais.

Próximos passos

O recesso parlamentar do Senado começa em 18 de julho, o que reduz a janela para uma votação ainda neste semestre. Enquanto isso não se resolve, empresas de diferentes portes seguem sem uma data para se planejar diante de uma mudança que pode alterar a forma como organizam escalas, contratações e custos operacionais.

Fontes consultadas:
Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/07/7457052-alcolumbre-e-pt-travam-novo-embate-sobre-pec.html
Fetec-PR: https://www.fetecpr.org.br/centrais-ampliam-dialogo-no-senado-pelo-fim-da-escala-6×1-e-reducao-de-jornada/
Forbes Money: https://forbes.com.br/forbes-money/2026/07/eleicoes-2026-custo-brasil-empresas/

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