Cibersegurança operacional ganha protagonismo

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez
5 Min de leitura
Rolando Bonaccorsi

De acordo com Rolando Bonaccorsi, líder em IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações, a transformação digital ampliou a dependência das empresas em relação à tecnologia, mas também aumentou significativamente a exposição a riscos cibernéticos. Sistemas conectados, operações distribuídas e processos cada vez mais automatizados tornaram a segurança um fator essencial para garantir a continuidade dos negócios. Nesse cenário, a cibersegurança operacional deixou de ser uma preocupação restrita às equipes técnicas e passou a ocupar posição estratégica nas decisões corporativas.

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Por que a cibersegurança passou a fazer parte da estratégia empresarial?

Durante muitos anos, investimentos em segurança digital eram motivados principalmente por exigências regulatórias ou pela necessidade de proteger informações confidenciais. Hoje, a realidade é diferente. A continuidade das operações depende diretamente da disponibilidade dos sistemas, da integridade dos dados e da capacidade de responder rapidamente a incidentes. Qualquer interrupção pode comprometer processos críticos e gerar prejuízos expressivos em poucos minutos.

Segundo Rolando Bonaccorsi, o crescimento da transformação digital também ampliou a superfície de ataque das organizações. Ambientes em nuvem, dispositivos conectados, trabalho híbrido e integração entre diferentes plataformas criaram novas oportunidades para criminosos explorarem vulnerabilidades. Como consequência, a gestão de operações precisa incorporar práticas de segurança desde o planejamento dos processos, evitando que a proteção seja tratada apenas como uma etapa complementar.

Como a inteligência artificial está mudando a resposta a incidentes?

O aumento do volume de dados gerados pelas operações tornou inviável depender exclusivamente da análise humana para identificar ameaças em tempo hábil. Nesse contexto, soluções baseadas em inteligência artificial e AIOps passaram a desempenhar um papel importante na detecção de comportamentos anormais, reduzindo o tempo necessário para identificar possíveis incidentes e iniciar as primeiras ações de resposta.

A observabilidade também ganhou uma nova dimensão. Plataformas inteligentes monitoram continuamente aplicações, infraestrutura e serviços, cruzando informações de diferentes fontes para identificar padrões que podem indicar falhas ou tentativas de invasão. Conforme informa Rolando Bonaccorsi, essa análise integrada melhora a tomada de decisão e permite que as equipes atuem antes que pequenos problemas evoluam para interrupções de grande impacto.

Além da velocidade, a automação inteligente contribui para aumentar a eficiência operacional. Processos repetitivos, como classificação de alertas, coleta de evidências e execução de procedimentos iniciais de contenção, podem ser realizados automaticamente, liberando os especialistas para atividades que exigem análise estratégica. Essa combinação entre tecnologia e conhecimento humano fortalece a capacidade de resposta das operações de TI diante de um cenário cada vez mais complexo.

Quais desafios ainda impedem operações mais resilientes?

Mesmo com o avanço das tecnologias de segurança, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para construir uma estratégia integrada de proteção. Ferramentas isoladas, processos pouco padronizados e baixa visibilidade sobre o ambiente tecnológico dificultam a identificação de riscos e tornam a resposta a incidentes mais lenta do que o necessário. A falta de integração entre áreas também compromete a eficiência das ações preventivas.

Outro desafio importante, destacado por Rolando Bonaccorsi, está relacionado às pessoas. Investimentos em tecnologia produzem resultados limitados quando não são acompanhados por programas de conscientização e desenvolvimento das equipes. Erros operacionais, falhas de configuração e práticas inadequadas continuam figurando entre as principais causas de incidentes de segurança, demonstrando que a construção de uma cultura voltada à proteção digital é tão importante quanto a adoção de novas soluções.

Por fim, também cresce a necessidade de revisar continuamente planos de continuidade de negócios e gestão de crises. Ataques cibernéticos mudam rapidamente de comportamento, exigindo processos flexíveis, simulações periódicas e capacidade de adaptação constante. Organizações que tratam a segurança como um processo permanente conseguem responder de forma mais eficiente às mudanças do cenário digital e reduzir significativamente seus riscos operacionais.

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