A confiança da indústria brasileira voltou a perder força em setembro. Os resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 25 de setembro de 2026, mostram que o pessimismo aumentou em 24 dos 29 setores analisados. O cenário alcançou empresas de diferentes portes e foi observado na maior parte das regiões do país.
Na leitura por segmentos, apenas quatro setores demonstraram confiança, enquanto 25 permaneceram pessimistas. Calçados e bebidas conseguiram superar a marca de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. Em sentido oposto, os segmentos de impressão e reprodução, equipamentos de informática, produtos eletrônicos e produtos ópticos registraram piora no indicador.
O levantamento reforça o ambiente de cautela enfrentado pela indústria brasileira. Para empresas, índices de confiança ajudam a sinalizar como os responsáveis pelos negócios avaliam as condições atuais e as perspectivas para os meses seguintes. Quando o resultado fica abaixo de 50 pontos, a interpretação da CNI é de falta de confiança.
Índice geral acumula 21 meses de pessimismo
O resultado setorial ocorre poucos dias depois da divulgação do índice geral da indústria. Em 14 de setembro, a CNI informou que o ICEI recuou de 46,3 para 44,9 pontos. Com isso, o setor industrial completou 21 meses consecutivos abaixo da linha de confiança.
A pesquisa geral consultou 1.186 empresas entre 1º e 8 de setembro. O indicador é acompanhado pelo setor produtivo porque funciona como um antecedente do desempenho industrial: as expectativas dos empresários podem antecipar mudanças na atividade, ainda que não representem, isoladamente, uma previsão sobre a produção futura.
Em um ambiente de confiança reduzida, decisões como ampliar investimentos, contratar funcionários, elevar a produção ou comprar insumos tendem a ser avaliadas com maior cautela. O índice, portanto, não mede diretamente cada uma dessas decisões, mas oferece uma fotografia das expectativas empresariais e do grau de disposição para assumir compromissos no curto e no médio prazo.
Pequenas, médias e grandes empresas registram falta de confiança
O recorte por porte mostra que a perda de confiança não ficou concentrada em um único grupo. Entre as pequenas empresas, o ICEI ficou em 44,6 pontos. Nas médias, o resultado foi de 44,9 pontos, enquanto as grandes companhias registraram 47 pontos. Todos os índices permaneceram abaixo de 50.
A diferença entre os grupos indica que as empresas maiores apresentaram uma percepção relativamente menos negativa, mas ainda sem alcançar a faixa de confiança. Para gestores, esse quadro reforça a importância de acompanhar custos, demanda, capacidade produtiva e condições de financiamento antes de definir novos movimentos de expansão.
O comportamento também mostra que o ambiente industrial exige atenção de negócios de diferentes escalas. Pequenas e médias empresas, que frequentemente possuem menor margem para absorver oscilações, podem utilizar o indicador como parte do planejamento. Grandes companhias, por sua vez, também permanecem submetidas a um cenário de expectativas desfavoráveis.
Nordeste é a única região acima da linha de confiança
O desempenho regional apresentou uma exceção. O Nordeste foi a única região brasileira a registrar confiança, com 51,4 pontos. Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste permaneceram abaixo dos 50 pontos, embora o comportamento tenha variado entre os territórios.
O contraste regional é relevante para a análise empresarial porque mostra que o sentimento do setor não é uniforme em todo o país. Enquanto o resultado nacional aponta para cautela, o desempenho do Nordeste ficou na faixa positiva. Ainda assim, o dado regional não elimina o quadro geral de pessimismo observado na maior parte dos setores e regiões.
Segundo a CNI, o ICEI permite acompanhar a percepção dos empresários sobre as condições atuais e as expectativas para a economia e para as próprias empresas. A leitura dos dados setoriais, por isso, pode apoiar decisões de planejamento, mas deve ser combinada com informações específicas de cada mercado.
O que o resultado sinaliza para os negócios
A sequência de resultados abaixo de 50 pontos indica que a indústria ainda não recuperou um ambiente amplo de confiança. Como o comportamento varia entre setores, portes e regiões, empresas e investidores precisam evitar conclusões baseadas apenas na média nacional.
O quadro de setembro sugere a necessidade de monitorar a evolução da demanda, os custos operacionais e as expectativas do próprio segmento. A melhora observada em calçados e bebidas, por exemplo, contrasta com a piora em áreas ligadas à impressão, informática, eletrônicos e produtos ópticos. Essa diferença pode ser importante para fornecedores, fabricantes e prestadores de serviços que atuam em cadeias industriais distintas.
Os dados foram divulgados pela Agência de Notícias da Indústria, da CNI. A Agência Brasil também registrou a sequência de 21 meses de pessimismo no indicador geral. O próximo acompanhamento será importante para verificar se a queda de setembro representa uma deterioração temporária ou a continuidade de uma tendência prolongada.
