A inteligência artificial deixou de ser uma experiência pontual dentro das empresas brasileiras
Passou a ocupar um papel mais estratégico na operação dos negócios. É o que mostra a edição 2026 do relatório “State of AI in the Enterprise”, do AI Institute da Deloitte, que ouviu mais de 3 mil executivos em 24 países, incluindo 115 representantes de empresas brasileiras.
Da experimentação à escala
Segundo o levantamento, os ganhos de produtividade trazidos pela IA já são amplamente reconhecidos pelas organizações. Uma parcela relevante das empresas já vai além disso: no cenário global, 34% delas usam a tecnologia para promover mudanças estruturais no negócio, e não apenas para ganhos pontuais de eficiência.
O Brasil segue esse movimento de perto. Segundo Jefferson Denti, Chief Disruption Officer da Deloitte, muitas empresas brasileiras já entenderam que a inteligência artificial precisa fazer parte da estratégia e da transformação dos negócios, e que o desafio agora é escalar os projetos-piloto com resultados concretos.
Acesso mais amplo, mas ainda escalonado
Em todo o mundo, 85% das organizações já autorizam o uso de IA para pelo menos 20% de seus profissionais. No Brasil, o percentual chega a 82%. Para a Deloitte, esses números indicam que as empresas vêm ampliando o acesso à tecnologia de forma gradual, começando por áreas prioritárias e testando modelos de governança antes de expandir o uso para o restante da organização.
O ponto de atenção: a IA Agêntica
O relatório chama atenção para um descompasso que preocupa especialistas. Quase a totalidade das empresas ouvidas, tanto no Brasil quanto no exterior, planeja adotar a chamada IA Agêntica, sistemas capazes de agir com mais autonomia, em até dois anos. No entanto, apenas 27% das organizações brasileiras afirmam ter modelos de governança maduros para lidar com essa tecnologia, percentual que cai para 21% na amostra global.
Denti resume o desafio: segundo ele, agentes de IA ampliam a autonomia e a capacidade de execução das ferramentas, o que também eleva a responsabilidade das empresas. Não se trata apenas de adotar uma nova tecnologia, mas de estruturar critérios de decisão e limites claros para o seu uso. Na avaliação do executivo, as companhias que avançarem de forma progressiva, testando primeiro os casos de menor risco, terão mais condições de captar valor da IA com segurança.
O que isso significa na prática
Para empresas de diferentes portes, o relatório reforça uma tendência que já vinha se desenhando: a inteligência artificial deixou de ser uma escolha isolada da área de tecnologia e passou a exigir decisão conjunta entre lideranças de negócio, TI e áreas de risco. O amadurecimento da governança, mais do que a adoção da ferramenta em si, tende a ser o fator que vai separar as empresas que conseguem transformar investimento em IA em resultado real das que ficam presas à fase de testes.
Fontes consultadas:
Deloitte Brasil: https://www.deloitte.com/br/pt/about/press-room/state-of-ai-2026.html
